ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL CARGALEIRO OPINIÃO

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Crónica

  Um dia as folhas partiram e eu sem elas não vivia. Era nelas que eu, com a minha “pena de escrever”, escrevia tudo o que queria e que me vinha à cabeça. Podia escrever poesia ou uma simples notícia.
  Também era nessas folhas onde eu, com o meu lápis de carvão, desenhava. Desenhava tudo o que via e tudo o que não via. Por vezes, ia para a varanda do meu quarto, que tinha vista para um belo jardim, e desenhava as famílias que ali passavam o dia.
  E com os meus pincéis, nessas folhas, pintava. Pintava o que me vinha na alma. O que eu lá pintasse, de certa forma, mostrava o meu estado de espírito. Se estava zangado, talvez pintasse com cores mais escuras, mas se tivesse contente, talvez pintasse com cores mais alegres.
  As folhas que foram escritas tornaram-se livro, as que estavam desenhadas participaram em livros para crianças e as folhas pintadas foram expostas num museu.
  Um dia as folhas partiram, mas para serem vistas por toda a gente.

Márcia Neves e Daniel Cóias, 10º I

 



 

 

A falsa inclusão ou a ilusão de que a aprendizagem aconteça por via administrativa

Muito se tem falado na necessidade de aumentar o sucesso escolar dos alunos e essa pretensão vem, mais uma vez, reforçada nas Metas para a Educação, divulgadas pela Sra. Ministra.

Também muitas vezes se diz que os professores falam, falam e não “passam para o papel”… mas quando a inquietação cresce e somos rodeados pelo carrocel dos números, urge reflectirmos… e passar ao registo escrito, confiante que esse acto nos organizará as ideias.

Temos vindo a aprender que a melhoria dos resultados académicos dos alunos é a principal meta da Escola, mas também que os resultados se obtêm com meios. Sendo certo que os professores também estão implicados no insucesso (e no sucesso) dos alunos, não vislumbramos o acréscimo dos meios para alcançarmos tão valorosas metas. As turmas do ensino básico vão crescendo, como testemunham os nomes manuscritos no fim das listagens; os alunos estrangeiros são integrados em turmas do ensino regular sem compreenderem português (não questionando o valor do PLNM – Português Língua Não Materna, este não é suficiente para os alunos acompanharem os conteúdos leccionados nas várias disciplinas), o número de alunos com disciplinas em atraso, ou seja, que reprovaram no 10º ou no 11º em alguma disciplina, e que não conseguem encontrar turma onde se inscreverem também cresce. Se não conseguiram obter uma classificação de oito valores que lhes permitisse transitar na disciplina, como conseguirão obter aprovação num exame, contando apenas com o seu trabalho autónomo?

Numa turma temos alunos empenhados no sucesso, que trabalham arduamente para o conseguir, lado a lado com outros que não compreendem a língua, que não estão no curso que mais se adapta às suas características, que vão perdendo a vontade e a esperança de conseguirem, um dia, após umas sessões de explicações, concluírem as disciplinas em atraso. Tempos houveram em que existiam turmas só com alunos inscritos a uma ou duas disciplinas. Esses não eram os tempos das Novas Oportunidades. Se calhar, o que nos falta não são novas oportunidades, mas encontrar na escola, meios que permitam aos alunos que assim o desejarem recuperarem o que não conseguiram fazer numa primeira tentativa. A escola pública tem de ser uma escola de sucesso a todo o custo… estranhamente, parece que os filhos dos entusiastas deste discurso param pouco na escola pública. E que querem transformar a tão idealizada escola pública numa antecâmara para o trabalho não qualificado e precário, que parece ser o rumo da maioria dos jovens que não vão além do ensino secundário; esse número será cada vez maior, se os professores não conseguirem ensinar os conteúdos que realmente são necessários, porque não se esquecem do olhar triste e confuso dos alunos que não tiveram oportunidade de aprender antes o que lhes permitiria ter sucesso depois; é disso que precisam, de condições para aprenderem e não apenas de notas positivas.
    
Conceição Courela

Nota: Agradeço aos colegas do grupo de Biologia e Geologia que leram este texto, fizeram correcções/sugestões e/ou manifestaram o seu apoio.

 

 


Um dia as folhas partiram e eu parti com elas [+]

Daniela Fortunato e Ana Rafaela, 10º I


Um dia as folhas partiram [+]

 Filipe Graça Nº7 – 10º I


Ambiente [+]

Ailton Santo

 

 


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