Mais que atletas, lutadores
Quando se fala em jogos olímpicos, todos nós imaginamos atletas em grande forma física a correr e a lançar objectos com grande precisão. Por vezes invejamo-los e desejamos ser como eles, pois tomamo-los como um exemplo de boa forma física. Admiramo-los, ansiamos pela chegada dos jogos e pegamo-nos ao televisor a torcer por eles, mesmo quando o fuso horário é completamente diferente. Então, agora pergunto-me: e os atletas paraolímpicos?
Hoje em dia, todas as pessoas com o mínimo de acesso aos media sabem o que são os jogos paraolímpicos, no entanto, pouco ou nada comentam acerca deles. Será que alguém sabe que ao todo, Portugal conquistou 83 medalhas nos jogos paraolímpicos, contrastando com as míseras 22 conquistadas nos jogos olímpicos? E mais, quem é que consegue descrever a emoção que sentiu ao ver Bruno Valentim tornar-se tricampeão de Boccia? Aliás, quem é que sabe o que é boccia? Grande parte das pessoas não sabe.
A pouca ou nenhuma divulgação destes é vergonhosa, apesar de recentemente se notarem algumas melhorias. Ainda assim não são suficientes para aumentar o número de adeptos, até porque conhecimento da sua existência já as pessoas têm…então porquê tanta falta de apoio? A resposta é muito simples: preconceito e ao mesmo tempo desprezo para com os atletas paraolímpicos.
As pessoas, ainda que já mentalizadas e supostamente prontas para esse tipo de situações, na realidade sentem-se mal ao ver essas pessoas. Há sempre aquele estigma de imaginar como seria estar naquela situação, que em vez de ser razão de admiração é razão para represálias, pelo menos a meu ver.
Por outro lado há uma certa falta de expectativas dum bom desempenho devido às debilidades físicas, dando uma ideia dum espectáculo de fraca qualidade, o que não é coerente com a realidade. Os atletas paraolímpicos dão um espectáculo tão bom ou melhor que os atletas olímpicos, pois esforçam-se sempre ao máximo para darem o seu melhor e ao menos têm a sensatez de não inventar desculpas esfarrapadas para os seus fracassos, como vimos certos atletas olímpicos fazer este ano. As suas debilidades fazem deles pessoas mais dedicadas para as superarem, o que lhes confere razão, mais que suficiente para admiração da nossa parte.
São estes atletas que demonstram o verdadeiro espírito Luso; eles sim, dão o seu melhor; são realmente razão de admiração e os que realmente precisam do nosso apoio; e por fim, tal como está escrito na única propaganda que lhes foi feita: “É nisto que somos bons!”
Pedro Gonçalves, nº21, 12ºA |