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cartaz 25 abril 17 
             Cartaz de Bruno Ilhéu


1970

Aqui existe, há mais de 40 anos, a mais antiga ditadura da Europa.
Por razões políticas ou económicas, uma grande parte da população vê-se forçada a emigrar. Só em Paris irão viver centenas de milhares de portugueses.

Muitos países do continente africano estão a conquistar a sua independência. Mas aqui, os dirigentes políticos insistem, contra a corrente da história, numa guerra colonial absurda e antiquada.
Uma guerra que durará 13 anos e fará 9 mil mortos do lado português.
Os que não conseguem desertar embarcam para África. Vão cumprir o serviço militar obrigatório de dois anos, no mínimo, para Moçambique, Angola ou Guiné.
Proporcionalmente à população, os portugueses obrigados a ir combater para África são quatro vezes mais numerosos do que os soldados americanos no Vietname.

 Além dos militares profissionais, são chamados a participar na guerra todos os jovens a partir dos 18 anos.

De África voltam, todas as semanas, navios e aviões com os caixões de jovens militares mortos e outros atingidos por graves ferimentos de guerra. No dia 10 de Junho, a ditadura organiza sempre uma grande cerimónia para condecorar os heróis. Entre os condecorados há sempre mais homens e mulheres de luto (que choram pelos filhos) do que militares regressados com o corpo intacto.

Pouco a pouco, no seio das Forças Armadas, estrutura-se uma organização clandestina de oficiais contestatários. É o Movimento dos Capitães. Têm dois objectivos essenciais: acabar com a guerra colonial e restaurar a liberdade no país.

1974
(Cronologia de um amanhecer…)

24 de Abril, 22h 55 – É transmitida, na rádio, a canção “E depois do Adeus”.
É a primeira senha previamente combinada com o Movimento das Forças Armadas, para sincronizar as operações. É o sinal de alerta.

25 de Abril, 00h 20 – É transmitida a Grândola Vila Morena, senha definitiva para o arranque das operações. Os soldados vão começar a sair dos quarteis.

1h 00 – Inicia-se a movimentação das tropas em vários pontos do país.

3h 00 – Dá-se a ocupação militar de pontos vitais em Lisboa: o aeroporto, estações de rádio, a RTP e a rádio Marconi (que controla as comunicações por telefone). Também no norte acontecem ocupações estratégicas.
De Santarém, saem as tropas do Capitão Salgueiro Maia. Destino: Lisboa.

4h 15 – O MFA movimenta-se já por todo o país.

4h 26 – O primeiro comunicado do MFA, lido aos microfones do Rádio Clube Português, é dirigido à população de Lisboa.

5h 45 – Os carros blindados e as tropas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, ocupam o Terreiro do Paço, em Lisboa.
Cercam os Ministérios, a Câmara Municipal, o Governo Civil, o Banco de Portugal e a Rádio Marconi.

11h 45 – O MFA informa o país de que domina a situação de norte a sul.
12h 30 – As forças de Salgueiro Maia cercam o quartel do Carmo (…)

O Capitão Salgueiro Maia escreveria mais tarde:

(…) Nunca tinha visto o povo a manifestar-se assim. No Largo do Carmo (…) alguns habitantes abriram portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes
sobre o quartel, alguns populares enrouqueciam a cantar o hino nacional (…)
O ambiente que ali se viveu não tem descrição (…) foi de tal maneira belo que depois disso nada mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa.

José Jorge Letria (jornalista no República) escreveria mais tarde:

À tarde… mesmo antes da rendição do governo, no Quartel do Carmo (…) havia centenas de pessoas nas ruas. Sobretudo mulheres, que saíam das suas casas com café, café com leite, pão e fruta para dar aos militares exaustos (…) depois de uma noite sem sono.

Como se embalassem os próprios filhos …

Francisco Sousa Tavares escreveria, mais tarde, sobre o Capitão Salgueiro Maia:

(…) era um chefe nato e dele emanava a força serena dos homens habituados a dominar-se (…)

Dominou calmamente, no Terreiro do Paço, o Tenente Ferraud de Almeida, dominou o brigadeiro que se lhe quis opor e, pela calma fixa do seu olhar, dominou um a um os homens que receberam ordens para disparar sobre ele. No Carmo, dominou tudo e todos: dominou a guarda, dominou o Governo, dominou os ministros que choravam, dominou a multidão e dominou o ódio colectivo dos que gritavam vingança. E dominou o tempo e a vitória, que veio ter com ele, obediente e fascinada.


Manuel Alegre escreveria mais tarde:

(…) parece que foi ontem, eu ainda estava no exílio, em Argel. Vi, pela televisão, as imagens da tomada do Quartel do Carmo. Foi um privilégio viver esse momento, ainda que estivesse longe.
(…)
Decidimos regressar a Portugal. Foi uma semana de alegria e agitação (…) Pela primeira vez, em muitos anos, conseguimos falar ao telefone com as famílias. Toda a gente chorava.
(…)
Foi uma revolução original. Os militares derrubaram a ditadura e não guardaram o poder para si, restituíram-no ao povo através de eleições livres. É um caso único na História e devemos ter orgulho: pela primeira vez numa situação revolucionária a democracia venceu. O 25 de Abril mostrou ao mundo que era possível passar da ditadura para a democracia sem cair numa nova ditadura. E abriu caminho à transição democrática na Grécia, na Espanha, no Brasil e noutros países da América Latina.
(…)
Pelo 25 de Abril, Portugal ganhou prestígio político e moral como país de paz e de liberdade (…)

Foi um privilégio viver esse momento, (…)
É um privilégio revivê-lo, ainda hoje. Com poemas e canções que também foram armas.

Porque o mal, disse Eduardo Lourenço, combate-se com a criação, a poesia e a música. E a poesia também foi uma arma contra esse mal português que foi a ditadura do Estado Novo. Poemas que foram armas antes das armas. Ao longo de quase meio século a poesia portuguesa manteve acesa aquela pequenina luz (…) do inconformismo e da esperança.


Fontes consultadas:
Mercedes Guerreiro e Jean Lemaître,
“Grândola Vila Morena, a canção da Liberdade”
José Fanha, “Era uma vez o 25 de Abril”
José Jorge Letria, “O 25 de Abril contado às crianças e aos outros”
Salgueiro Maia, “Capitão de Abril”
José Jorge Letria, “ E tudo era possível”
Francisco Sousa Tavares, “O sereno herói de Abril”
Manuel Alegre, “Uma outra memória”

textos seleccionados e adaptados por: Ana Baltazar (2017)

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