História da Escola Secundária Manuel Cargaleiro

A Escola Secundária Manuel Cargaleiro localizada no Fogueteiro, freguesia de Amora, concelho do Seixal foi criada em 1984 pela Portaria nº 846/84, publicada no Diário da República, I série, nº 255, de 3 de novembro de 1984 e, iniciou as suas atividades letivas, no dia 25 de novembro de 1985, com o nome de Escola Secundária do Fogueteiro.

Começou a sua atividade com turmas do curso unificado, mas com a publicação do Despacho nº 184/MEC/86 iniciou-se a 2ª fase de construção que permitiu a abertura dos cursos complementares no ano letivo de 1987/88.

No ano letivo de 1989/90 foram criados o 12º ano e os cursos noturnos (extintos entretanto).

O pavilhão gimnodesportivo começou a ser construído no ano letivo de 1994/95.

Em 25 de novembro de 1984 com a publicação do Despacho nº 35/SSEAM/94, coincidindo com a comemoração do  9º aniversário a Escola passou a designar-se Escola Secundária Manuel Cargaleiro em homenagem ao artista plástico reconhecido nacional e internacionalmente que passou alguns dos seus anos de infância e juventude no Fogueteiro, na rua próxima da escola, e onde teve o seu primeiro atelier.

Atualmente a escola tem em funcionamento o 3º ciclo do Ensino Básico, o Ensino Secundário (cursos científico humanísticos), o ensino profissionalizante e vocacional. A população escolar tem cerca de 1000 alunos, 100 professores e 30 assistentes técnicos e operacionais.

Patrono

Manuel Alves Cargaleiro, nasceu a 16 de março de 1927 em Vila Velha de Ródão, distrito de Castelo Branco – Portugal. É lá que fica o berço dos seus antepassados: os Ribeiro, Fernandes, Mendes, Alves e Cargaleiro que geração após geração, viveram da agricultura.

Manuel Cargaleiro ainda não tinha feito dois anos quando o pai, resolve vender as terras no distrito de Castelo Branco para se instalar no Monte da Caparica, próximo de Lisboa e do mar, para se ocupar da Quinta da Silveira de Baixo. Passa a representar um papel importante no mundo agrícola. Pioneiro das técnicas modernas, torna-se conselheiro do distrito para tudo o que diz respeito à diversificação das culturas nas pequenas e grandes unidades agrícolas.

É no Monte da Caparica que Manuel Cargaleiro passa a sua infância e a sua adolescência e é aí que nasce o seu gosto pela terra, pelas plantas, pelas flores e pelas cores.

A mãe Ermelinda Cargaleiro, autodidata, executa com talento, a partir de 1925, mantas de retalhos muito coloridas com formas geométricas variadas. Ela irá criar, muito livremente, até ao fim da sua vida em 1988 estes patchworks que serão expostos em vários museus portugueses e também em França, na Casa da Cultura André Malraux em Reims.

Manuel Cargaleiro começa a desenhar por volta dos seis ou sete anos: centenas de desenhos que serão acompanhados de curtos poemas logo que terá aprendido a escrever. Confeciona também pequenos objetos de argila que coze no forno de lenha da casa, antes de os pintar. Todas estas criações são destinadas exclusivamente ao seu póprio olhar.

Em 1957 fixa residência em Paris onde continua a residir e a trabalhar.

“Comecei a minha vida de artista como ceramista e sou ceramista mesmo quando faço pintura a óleo. Não consigo imaginar uma coisa sem a outra. As minhas duas práticas, claro que se influenciam mutuamente. Não posso esquecer todos os meus conhecimentos sobre a história da faiança ou sobre a decoração mural quando pinto, assim como não esqueço a minha cultura pictórica quando crio em cerâmica. Está tudo muito ligado, e é isso que constitui a minhaespecificidade. Eu não copio os meus quadros nos azulejos: pinto diretamente sobre a faiança, sem desenho prévio, como numa tela.

Manuel Cargaleiro, catálogo Gilbert Lascault, 2003